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Não sou Poeta, não sou Professor, não sou Engenheiro e muito menos Doutor. Sou alguém que aprendeu a ser o que é, porque um dia me disseram que na vida o que realmente importa é ser eu próprio, confiar nos sentimentos e respeitar o que nos rodeia, ...as pessoas e ...o Mundo!

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sexta-feira, julho 03, 2009

Notas históricas de Cassurrães

Santiago de Cassurrães – Terras Milenares

Foto CMatos
"Olhando bem de frente a Serra da Estrela e as terras de «Além-Mondego» a freguesia de Cassurrães, soalheira e fértil, estende-se desde os altos dos montes que a defendem dos ventos cortantes do Norte até às margens pedregosas do velho mundo dos celtas. Embora - que eu o saiba... - não tivessem surgido ainda, dentro dos seus limites, testemunhos da permanência do homem das épocas nebulosas da Pré-História, é muito natural que os enormes petro-glifos e os ásperos estevais da Pedra Aguda ou da Baralha guardem, até um dia, segredos de civilizações que por aqui estacionaram e se extinguiram sem terem deixado de si rasto aparente. De facto, não é de admitir que o homem primitivo, habitando em todas as regiões circunvizinhas (atente-se, pelo menos, nas «antas» da Cunha Baixa, Mangualde e Póvoa de Cervães) tenha desdenhado das terras de Cassurrães que, sob alguns aspectos, apresentam condições mais favoráveis à vida do que aquelas. No tempo dos romanos existem vestígios de duas estradas. Uma - a principal - irradiava de Viseu e, transposto o Dão, seguia por Fagilde, Roda, Mangualde (base do monte da Senhora do Castelo), Almeidinha, Senhora dos Verdes e Abrunhosa. Na Ponte de Cabra, tomando o rumo de Mérida (a magnífica capital da Lusitãnia), passava por Linhares, Misarela, Valhelhas, Belmonte, Caria, Idanha-a-Velha, Ponte de Alcântara e Cáceres, já em território hoje pertencente à Espanha. Era a «Estrada dos Almocreves» igualmente conhecida, entre as gentes da Serra, por «Estrada do Rei Herodes.
A outra (mais pròpriamente um ramal do que estrada), partia de Mangualde e ia entroncar, já no concelho de Gouveia, com a via imperial de Conimbriga à Guarda e Salamanca. Passava na Mesquitela - a velha «Calçada» - , Mourilhe e Contenças, galgando o Mondego na Ponte Palhez.
Com esta ligava a estrada velha de Contenças a Santiago - «estrada pública antiquíssima e muito frequentada que serve de trânsito do povo de Além Mondego» - , conforme se lê na acta da sessão da Junta da Paróquia de Cassurrães, de 18 de Agosto de 1879. Na Senhora de Cervães encontrava a via de Viseu a Mérida e dela dizia o Abade Agostinho Luís de Carvalho Freire e Vasconcelos, em 1758, que «por este sítio passa hua extrada muito ferquentada por dar passagem para muitas terras e virem passar o Rio Mondego a hua ponte Rial e principal do Rio chamada a ponte Palhez que della fallará quem mais vesinho for» (3). Em 1889, o Sr. Henriques Gomes, das Contenças de Baixo, comunicava ao director do jornal «O Novo Tempo» que no termo das Contenças, no sítio da «Rechã» e em propriedades suas e vizinhas, se encontravam muitos vestígios de uma antiga povoação, a saber, grandes muros de habitações e telha de rebordo (4). A confirmar-se tal facto e sendo a telha de rebordo um inequívoco testemunho de romanização, fica-nos a certeza da existência, na freguesia de Cassurrães de, pelo menos, uma «vila» ou um povoado onde se viveu, há perto de 2 mil anos, sob a influência e segundo os moldes da civilização da Roma Eterna.


NOTAS
(3) «Memória Paroquial de Santiago de Cassurrães» in vol. 9, n.º 45. Pg. 1223, na Torre do Tombo.
(4) Semanário de Mangulade de que era redactor o Dr. Alberto 0sório de Castro. A notícia é do n.º 2 de 27 de Outubro de 1889.
"

Escrito de Alexandre Alves na publicação de 1960 da “Família Paroquial” de Santiago de Cassurrães (nas edições nº 26 e 27, página 2).

Hoje, contráriamente à época em que estes escritos foram redigidos, sabe-se da existência de sepulturas antropomórficas na zona de Aldeia Nova, nomeadamente a necrópole das Quelhadas e as sepulturas na zona da ribeira de Marialva, bem como de outros achados incluindo artefactos em silex que bem atestam a humanização destas terras desde tempos imemoriais.

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