O meu cantinho!...

Não sou Poeta, não sou Professor, não sou Engenheiro e muito menos Doutor. Sou alguém que aprendeu a ser o que é, porque um dia me disseram que na vida o que realmente importa é ser eu próprio, confiar nos sentimentos e respeitar o que nos rodeia, ...as pessoas e ...o Mundo!

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domingo, julho 12, 2009

Expedição à Candeeira

(Parte 1 de 2)

Data: 4 e 5 de Julho de 2009
Local: Serra da Estrela
Participantes: 4 Trilhados (Carlos, Paulo, David, Lopes) e 2 Amigos (Zé Paulo, João)
Objectivo: Procurar “tesouros” (Geocaching) e “conquistar” o Vale da Candeeira

Fotos do 1º dia

Partimos das Penhas Douradas em direcção ao Vale das Éguas em amena cavaqueira, com o entusiasmo próprio do início de uma nova aventura na Serra da Estrela. Pouco depois do Vale das Éguas encontramos um grupo extenso de pessoas que vindas da Lagoa Comprida se dirigiam para as Penhas, por isso, em sentido contrário ao nosso. Alguns deles envergavam umas tshirts com uma inscrição, no mínimo, sugestiva - “Turismo do Garrafão” – sendo que alguns deles, aparentemente levavam a coisa a preceito.
Depois deste último contacto, fomos engolidos pela imensidão da Serra vigiados apenas por algumas aves de rapina, e vários pares de olhos que não víamos, mas sabemos estarem por lá, (exceptuando uma raposa que vimos mesmo, mas ao longe). A fome apertava, pelo que não tardou uma paragem para reabastecer os depósitos de combustível e aliviar as costas. Subindo e descendo fomos seguindo as marcas já conhecidas do trilho T11 e sem problemas foi alcançado o Vértice Geodésico do Curral do Martins, esse mesmo que ficou conhecido em 2005, se calhar com exagerado alarido pelas TVs, devido ao resgate de um grupo de escuteiros da zona de Lisboa que aqui se abrigou. Após uma pequena paragem para “cachar” descemos um pouco em direcção ao próximo objectivo – A Nave da Mestra. A entrada neste pequeno paraíso faz-se por uma estreita fenda que pelas entranhas de um maciço rochoso nos conduz a um “vale encantado”. Ao inicio apertada e com desnível acentuado, vai-se tornando gradualmente mais larga e plana. É como se estivéssemos a iniciar uma viagem ao centro da terra. Quando finalmente se volta à luz do dia com o vale lá em baixo parece estarmos a entrar num reino perdido, e de facto assim é: Ali existem várias construções brilhantemente dissimuladas aproveitando algumas cavidades rochosas, um muro que delimita a área e ao fundo uma pequena ribeira. Dizem que aqui viveu um Juiz, que fugindo da civilização encontrou neste lugar o refugio e a paz. Na construção principal lê-se perfeitamente a seguinte inscrição por cima da porta: “Dr. J.Matos – Barca Hirminius – 1910”. Aqui iríamos pernoitar, mas ainda havia o Vale da Candeeira a conquistar. Depois de um pequeno repasto, foram guardadas as mochilas na casa do Dr., e mais leves retomámos o caminho, primeiro em direcção ao VG do Piornal e depois contornando-o em direcção à encosta Norte da Candeeira. Pelo estudo das cartas topográficas, sabíamos que esta encosta é a mais difícil deste vale, conhecido como um dos mais inacessíveis da Serra, mas ao chegarmos ao topo de uma rocha ficámos de queixo caído. À nossa frente o chão desaparecia, caindo quase a pique por mais de 180 metros e lá bem no fundo o vale da Candeeira serpenteado pela ribeira do mesmo nome. Uma paisagem magnífica com os 3 cântaros (Raso, Magro e Gordo) perfilados e por trás destes as “bolas” da torre brilhando sob o sol de fim de tarde, à esquerda os Poios Brancos e as Penhas da Saúde e à direita, escondidas entre as rochas, as lagoas dos Cântaros e da Paixão.
Só havia uma maneira de chegar lá em baixo: ziguezaguear por entre os penhascos e descer, com cuidado e um passo de cada vez. Muito tempo depois, com alguns incidentes pelo meio mas que não provocaram danos físicos de grande monta, chegamos finalmente ao fundo. O GPS confirmava os cerca de 187 metros de desnível, e a localização do “tesouro” que ali nos levara. Tínhamos de atravessar a ribeira e subir um pequeno penhasco do outro lado, passando de permeio por um abrigo de pastores e respectiva cerca para o gado. E agora, como vamos voltar a subir aquela enorme parede? Era a pergunta que pairava no ar…
Depois de deixar a nossa marca e escondido o “tesouro” para outros aventureiros, e seguindo a sugestão do Paulo, dirigimo-nos confiantes a uma zona que parecia mais favorável aos 6 pequenos mortais, e de facto era o caminho certo já que ali encontrámos um trilho que subia, a pique é certo, encosta acima. Não foi fácil a subida, com as pobres bombas cardíacas dos mais velhos a chegarem a níveis assustadores e a obrigarem a paragens frequentes. Era uma corrida contra o tempo, já que a noite caía com a mesma rapidez com que a lua subia no horizonte, mas felizmente estava cheiinha! Era já noite, mas ainda assim quase dia, quando entrámos novamente nos domínios do Dr. J.Matos e podémos descansar o pobre esqueleto exausto e esfomeado. A seguir à janta, havia ainda que preparar os aposentos o melhor possível e tentar secar algumas botas que, sacaninhas, quiseram tomar uns banhos não programados. Recolhida lenha seca, escolhido o local, tomadas todas as precauções, acendeu-se uma pequena fogueira… dentro do aposento, e saiu asneira! A “chaminé” não defumava bem e aos tropelões tivemos de abandonar o abrigo para não sufocar tal a quantidade de fumo (onde é que já vimos isto?). O remédio foi aproveitar o tempo para uma “caça ao tesouro” que também por ali existe e esperar, esperar e desesperar, para que o braseiro deixasse de fazer fumo e pudéssemos finalmente tomar o tradicional chazinho acompanhado da bela bolacha e descer ao vale dos lençóis (o mais reconfortante de todos os vales)… passava das 02:00 da matina, quando o silêncio desceu à Mestra.
Continua...

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