O meu cantinho!...

Não sou Poeta, não sou Professor, não sou Engenheiro e muito menos Doutor. Sou alguém que aprendeu a ser o que é, porque um dia me disseram que na vida o que realmente importa é ser eu próprio, confiar nos sentimentos e respeitar o que nos rodeia, ...as pessoas e ...o Mundo!

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sábado, janeiro 20, 2007

4 Primos [5º Capítulo]

Não! Não era um sonho. Estávamos agora acordados e a tentar comprimir-nos para que ele não se molhasse mas era tarde de mais. Depressa Há belo pãozinho!percebemos que o seu saco cama estava encharcado por fora e que não caíam pingas mas sim grossos fios de água vindos da tal fenda que recebia a chuva puxada a vento e a canalizava até nós. Foi um alvoroço, toda a roupa que estava pendurada a arejar e alguns outros haveres encontravam-se encharcados. Depressa, muito depressa a água avançava gruta a dentro, saltámos de dentro dos sacos cama deixando o seu conforto na tentativa de escapar secos. O lugar que eu A luz da fogueira dava-nos este aspecto.ocupava era o mais perto da fogueira e ainda numa zona seca, mas eu tinha de sair dali para que os meus primos fugissem daquele pequeno dilúvio que se abatia sobre a nossa “cama”. O azar deles (e meu) é que ao sair do saco cama, e apesar de estar de fato de treino, devo ter apanhado um choque térmico tal que comecei a tremer descontroladamente, ao ponto de quase não conseguir falar, e fiquei ali, de pé, todo encolhido, a tremer e com os A solução possível.três a pedirem-me para sair, para me mexer, que eles queriam passar. Passaram alguns intermináveis segundos, até recuperar um pouco do controle sobre os membros e conseguir saltar para cima da mesa de pedra, dando passagem aos outros que com os seus haveres num braçado tentavam salvar seco o possível. Estava tudo num caos, mochilas, roupas, alimentos, calçado, sacos cama, colchonetes, tudo ao monte e nós tentando perceber onde chovia e onde Ai os ossos!estava seco.
Decidimos arrumar tudo o que estava seco nas mochilas, vestir roupa seca e quente, colocar as mochilas num cantinho onde não havia vestígios de água e reacender a fogueira, já que a zona central resistia aos ataques da chuva. Passou talvez uma meia hora até acalmarmos, nós e a chuva. Estávamos agora sentados ao redor da mesa aquecidos pela fogueira e com as lanternas apontadas ao tecto rezando para que Um último olhar...aquela zona assim se mantivesse: Seca! Estava ultrapassado o 4º momento da noite.
Os minutos arrastavam-se vagarosamente pela noite, a comida tinha voltado à mesa, aqueciam-se os últimos pães com chouriço à fogueira, espetados num garfo, conversávamos e gracejávamos agora com tudo e com nada, tendo havido até uma fase em que se questionou se deveríamos ou não aguardar pela manhã para colocar o pé no caminho. Mas não, decidimos aguardar pela claridade, só que a lenha seca esgotava-se rapidamente o que nos fez ir ao encontro da chuva e recolher mais uns quantos Astronautas? ETs? Não, eramos nós!pedaços ainda que molhados mas que o fogo e o calor acabaram por vencer. Um dos primos, entrava de serviço daí a algumas horas pelo que, pelo menos ele necessitava de descansar, ainda que o espaço disponível fosse muito exíguo. Estendida uma colchonete previamente seca por entre as pedras da mesa e bancos e as mochilas, agasalhado por casacos lá se estendeu tentando descansar apesar do frio. Seriam umas 4:30 da manhã. Pouco depois outro lhe seguiu os passos, deitando-se perto da saída, ficando dois já sem mais espaço tentando resistir ao À direita, na rocha, a marca que nos guia.sono sentados de cada lado da fogueira com a mesa de permeio ocupada por taparuweres e outros haveres. Com o rádio de pilhas em parte incerta, era o som da RFM que saía do telemóvel em alta voz que nos fazia companhia, isso e o som crepitante da fogueira que mantínhamos acesa. Eram quase 6:00 da manhã, quando vencidos pelo sono, moldámos os nossos ossos às pedras e servindo-nos de cantis, taparuweres, e até um rolo de papel higiénico para almofada adormecemos em Um olhar...posições que só as fotos documentam. Confesso que não aguentei muito e ao acordar estava no chão com a minha colchonete, os pés quase em cima da fogueira, uma parte no molhado e outra no seco. Eram 07:30 quando uma fraca luz enevoada entrou e com ela o frio que a última brasa deixou entrar. Acordámos, se assim se pode dizer e pudemos melhor avaliar os estragos, a começar pelos ossos que estalavam e rangiam por todo o lado.
Já não chovia, mas estava um nevoeiro cerrado parecendo chuva, e no entanto era dia ...E outro sobre o vale!e a jornada podia continuar. Carinha lavada em água gelada, mochilas prontas com resguardos para a chuva, pequeno-almoço tomado, uma última foto ainda e o virar as costas para voltar a tomar o trilho dava-se pelas 08:30.
Cedo nos apercebemos, que o trilho estava num sítio diferente daquele onde o tínhamos deixado no dia anterior, ou seja aquele abrigo fora providencial fazendo-nos parar se não teríamos nos perdido na noite, ou talvez não! Protegidos com capas e casacos impermeáveis, perfurámos o nevoeiro que nos tolhia a vista ficando com um A foto da chagada. Sorriso estampado!horizonte de apenas alguns metros em redor. Descíamos em direcção a Loriga, por vezes em acentuados declives, e só já perto da povoação pudemos observar o vale glaciário em todo o seu esplendor, com as “bordas” demarcadas por enormes muros naturais de penedos gigantescos, outrora arrastados para ali pela força do gelo. Ainda tivemos tempo para um pequeno desvio de rota, fruto da deficiente marcação do trilho, que resolvemos complementar depois com os tais montículos de pedra para que a outros não lhes aconteça o mesmo.
Ainda não eram 10:30 quando atingimos o nosso objectivo: Loriga. Estávamos finalmente lá, cansados mas entusiasmadíssimos por todas as experiências passadas, ficando no ar, ali, junto ao placar de inicio/fim de trilho a promessa de que o T11 está à nossa espera!

FIM

Um abraço forte aos “4 Primos”, que experiências destas nos continuem a unir e acima de tudo que esta cumplicidade, entreajuda, partilha e alegria se prolongue pelo nosso dia-a-dia.

A todos vós que nos acompanhastes nesta aventura através da leitura, aqui fica um agradecimento e um desejo: Deixai que a natureza vos surpreenda… não vos arrependereis!

6 Comments:

At 20 janeiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

Parabéns por esta bela história, que pode parecer fantasia, mas e dado que conheço muito bem aquela rota, se trata de uma bela e excelente narrativa sobre uma aventura na paradisíaca encosta de Loriga. Relativamente a marcação do percurso é pena que já há alguns anos que não é feita. Era bom que fossem enviados mais uns quantos alertas ao PNSE sobre a situação, alias a rota dos percursos onde se inclui o T1 é da responsabilidade desse organismo.
Mais uma vez obrigado pela promoção a esta area da Serra da Estrela tantas vezes desprezada e esquecida.
Há um senão que gostava que fosse levado a sério: Nunca subestimar o perigo. A SERRA DA ESTRELA É PERIGOSA, Principalmente no Inverno em que as condições meteorológicas se alteram rápida e radicalmente podendo ocasionar situações fatais.
Até já
De Loriga

 
At 21 janeiro, 2007, Blogger CMatos said...

De facto, não é fantasia. Tudo o que aqui relatei aconteceu mesmo, como aliás as fotos documentam.

Devo subscrever e reforçar que A SERRA DA ESTRELA É PERIGOSA, por isso à que tomar as devidas providências para que a Segurança esteja sempre em primeiro lugar. Foi o que fizemos, e é sempre o que fazemos antes e durante este tipo de actividades, fruto da formação escutista que todos temos.

Um obrigado pelo elogio e conselhos, directamente para Loriga.

 
At 22 janeiro, 2007, Blogger Ruvasa said...

Viva, CMatos!

Peço desculpa por vir aqui trazer isto, mas não encontrei o email. Depois de toimar nota, pode apagar este "comentário":


O url do meu blog, actualizado é o seguinte:

O Sítio do Ruvasa 2 - http://ruvasa2a.blogspot.com

Abraço

Ruben

 
At 22 janeiro, 2007, Blogger JL said...

Fantástico! Que essa amizade perdure!

 
At 26 janeiro, 2007, Blogger Pitanga Doce said...

Matos, fazes idéia do frio que há de estar lá em cima, hoje, amigo?
Antes de entrar aqui quase fui carregada pelo vento.
abraços e obrigada pela solidariedade à minha história.

 
At 28 janeiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

primo..como gastava que neste momnento nao dissesses 4 pri mos mas 5..o Pedro falou me em ir..mas outros valores se levantaram e não deu mesmo.. tive pena..espero vior a ter essa oportunidade.um abraço aos 3 primos e ao mano..

 

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