O meu cantinho!...

Não sou Poeta, não sou Professor, não sou Engenheiro e muito menos Doutor. Sou alguém que aprendeu a ser o que é, porque um dia me disseram que na vida o que realmente importa é ser eu próprio, confiar nos sentimentos e respeitar o que nos rodeia, ...as pessoas e ...o Mundo!

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sexta-feira, dezembro 22, 2006

4 Primos [2º Capítulo]

Passado o Poio Estrela (1931 metros) com uma vista de cortar a respiração sobre as lagoas “Serrano” e “Quelhas”, o trilho desce em direcção a estas O Picos em posesempre ladeando uma linha de água que serpenteia por entre urzes e penedos vencendo os declives em pequenas cascatas. Aqui, embrenhados na serra, o silêncio impera apenas entrecortado pelo vento e pelo marulhar das cascatas que vão engrossando à medida que nos vamos aproximando das lagoas, no entanto algo nos vai entristecendo num sentimento conjunto de revolta, e que me leva a deixar aqui e agora um apelo:
- Por favor, depois de fazer o fantástico e tradicional “sku” NÃO ABANDONE OS PLÁSTICOS que usou, guarde-os ou deposite-os no lixo (O plástico leva mais de 100 As pernas abertas não é pose... é para contrariar o vento!anos a decompor-se no mar, por exemplo).
Não imaginam a quantidade de lixo que é arrastado por estas linhas de água, e que fica depositado/preso nas pedras, arbustos e nas margens das lagoas: Plástico, pacotes, potes plásticos e de metal, bidões, restos de tecidos, calçado, e até, imagine-se, um colchão de espuma/esponja. É uma dor de alma.
Bom, o trilho leva-nos a ladear a Lagoa das Quelhas por uma nesga de terra que a separa da Lagoa dos Serranos mais a Poente, e a passar por cima de um pequeno Cá dentro sempre se está melhorparedão que represa as águas e que assim à vista desarmada parece prestes a desmoronar-se, para mais com as águas batidas pelo vento a baterem-nos nas botas. Já passava das 15:00 e o estômago começava a pedir intervenção, a procura de um lugar resguardado do vento não demorou muito e ainda com as águas à vista, a uns escassos metros do trilho, avistámos um pequeno abrigo de pastores não muito abrigado diga-se, mas com o sol a compensar. Aliviados das mochilas, recostados no seu interior, era hora de ingerir umas barritas energéticas, umas Forte e feio, mas acolhedorbolachas e líquidos quanto baste. O tempo urgia pelo que a paragem foi breve e rapidamente atingimos sem grandes sobressaltos o Covão Boeiro, o 1º de quatro, situado no início da chamada garganta de Loriga. Este trilho, como já anteriormente tinha referido percorre um vale glaciário entre a Torre e Loriga, mas contrariamente ao outro (Vale do Zêzere, desde o Covão da Ametade até Manteigas) é constituído por quatro grandes Covões em socalcos escavados pelo gelo, finalizando num típico vale em U já perto de Loriga. Este 1º Covão (o Boeiro) é percorrido por uma linha de água Vistas sempre deslumbranteslímpida e cristalina, (sem o lixo que já ficou lá no alto), em curvas sucessivas pelo meio de tufo verdinho que nós comparámos com a vista aérea do rio amazonas (à devida escala) que dará origem mais abaixo a uma outra lagoa (a maior das três).Sempre descendo, agora por um largo caminho chega-se ao Covão do Meio (1650 metros) totalmente ocupado pela Lagoa com o mesmo nome e uma particularidade que Para além de largo é fundo tambémdesconhecia-mos por completo. Daqui parte um túnel escavado à mão através de rocha maciça em direcção à Lagoa Comprida por onde escorre o excesso de água durante o Inverno e através do qual, no Verão, se procede à transferência da totalidade das águas ficando por aqui apenas o suficiente para manter o normal caudal da ribeira. Passando por cima desse verdadeiro “ralo” gigante temos um outro desafio, o trilho A cascata ao vivo é muito mais impressionanteestende-se por um passadiço suspenso sobre as água escuras da lagoa cravado na parede rochosa vertical, única passagem para o “outro lado” que, meio desconfiados, lá atravessamos. Na outra margem da Lagoa escorre uma grossa linha de água ao longo da, também, parede rochosa em sucessivas cascatas parecendo tratar-se de uma só ao longo de uns bons 100 metros que desperta em nós os mais variados comentários que se resumem talvez num única palavra: espectacular. Depois do passadiço, uma enorme escadaria que sobe por entre as rochas e logo outra a descer que nos leva ao grande paredão fazendo lembrar a Aguieira em miniatura. A meio do paredão sustemos a O que aconteceria a Loriga se isto rebentasse?respiração, a nascente uma enorme maça de água emparedada em altas ravinas de rocha, a poente um grandioso vale que nos leva o olhar até à Serra do Açor e não a mais longe, porque as nuvens já começavam a descer e a ameaçar uma noite pouco tranquila. Pouco passava das 16:00 horas…

(Continua)

5 Comments:

At 23 dezembro, 2006, Anonymous Anónimo said...

DESEJO UM BOM NATAL E UM EXCELENTE ANO DE 2007

António Ferreira

 
At 23 dezembro, 2006, Blogger JL said...

Venho deixar o desejo que o Natal deste ano seja, o mais possível, o reflexo dos valores do Presépio de há dois mil anos. João Lopes

Esta história está fantástica. Estou a seguir os capítulos atentamente. Aguardo o próximo.

 
At 26 dezembro, 2006, Blogger Pitanga Doce said...

Olá Matos. Este teu relato lembrou-me quando era o rapaz pequeno e desceu a escorregar num plástico junto com a prima. Faço idéia quando for lá agora. Imagina um biólogo a catalogar as espécies, a recolher o lixo e medir o tamanho das rochas...já acabou o inverno! Já o fiz prometer que nunca vai se amarrar ao Green Peace...hehee

 
At 27 dezembro, 2006, Anonymous Anónimo said...

ola carlos deste-me o endereco do blog e a curiosidade despertou em min...ja li os dois capitulos da aventura e como tu dizes a meio de uma das narrativas,ocorrem-se-me varios comentarios!mas o k mais se adapta e mesmo espectacular!esta fantastico!!temos k fazer mais aventuras destas,e k se continuar-mos teras material pra escrever 1 livro k decerto tera exito!muitos parabens matos!simplesmente adorei!ganda abraço do primo lopes.

 
At 07 janeiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

Fico a espera do 4º capítulo, que bem pode ser a continuação do T1 entre Loriga e Vide. Diferente mas espectacular. Tirando algumas incorrecções relativamente a Fraga do Padre Nosso que se localiza a jusante do covão da Areia a narrativa é excelente. Um pequeno AVISO – ALERTA Cuidado com a Serra ela muitas vezes é traiçoeira, PRINCIPALMENTE NO INVERNO
Obrigado pela promoção daquela região.

DE Loriga

 

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