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sábado, agosto 08, 2009

Notas históricas de Cassurrães

Santiago de Cassurrães – Evolução da população

Na sequência dos artigos anteriores com o mesmo título "Notas Históricas...", aqui deixo agora os escritos do Dr. Alexandre Alves no jornal "Família Paroquial" de Santiago de Cassurrães, edição nº 30 de 1960, página 2, referente à evolução populacional da freguesia, comparativamente a outras, onde se pode verificar que já nos pimórdios esta era uma das maiores e mais importantes freguesias das terras de Azurara.

Casa antiga em Santiago
"Dos primeiros séculos da nossa existência como Nação, nada encontramos que nos elucide àcerca do número dos seus fogos e moradores. Sabíamos sim, que ao tempo das Inquisições de D. Afonso III, isto é, em 1258, já Cassurrães figurava como uma das 6 paróquias das terras de Zurara (1) e é, apenas, no «Cadastro da População do Reino», de 1527, que vamos encontrar a primeira das notícias a esse respeito.
Examinando esse «Cadastro» ressalta que, dos 936 moradores que então tinha o nosso concelho, 115 pertenciam à freguesia de Santiago. Em números redondos, uma oitava parte do total. O próprio lugar de Cassurrães, igualando a Mesquitela com 31 moradores, apenas era ultrapassado pela Póvoa - 55; Quintela - 36; Cubos - 33; Freixiosa - 50; Tibaldinho - 48; Aldeia de Carvalho - 34; Espinho - 33; quase se aproximando de Mangualde, sede de concelho que, na altura, não ia além dos 37 escassos moradores... Repartindo os 115 moradores da freguesia de Cassurrães pelo lugares que no séc. XVI a compunham, cabiam a:
» o lugar de caçuraens - 31
» o casal mondinho - 10
» o lugar de fomdões - 16
» o lugar de comtensa de cima - 20
» a comtensa de fundo - 23
» o casal de cima - 15 (2)
No Arquivo Distrital de Viseu, existe um «Rol das freguesias da Sé de Viseu com o número das pessoas de Sacramentos assim maiores como menores». O documento não é datado mas, pelo exame da letra e por outros pormenores mais, consideramo-lo como pertencente à 2.ª metade do século XVII. Nessa altura, com os seus 175 fogos, 758 pessoas maiores e 29 menores, já Santiago ocupava o segundo lugar entre todas as freguesias do concelho, seguindo-se imediatamente à de Mangualde. (...)
Em 1706, o Padre Carvalho da Costa, na «Monografia Portuguesa», atribue a Santiago 280 fogos, com um total de 826 almas; D. Luís Caetano de Lima - 1732, na «Geografia Histórica», 275 fogos com 858 almas; o Abade de Cassurrães, Agostinho Luís de Carvalho Freire e Vasconcelos (2.ª metade do séc. XVIII) nas «Memórias Paroquiais», informa que «tem esta terra e freguesia vezinhos e moradores trezentos e nove e o número das pessoas são oitocentas e onze de maiores e de menores são duzentas e não consta de mais ao presente tempo e hora»; Paulo Dias de Niza; no 2.º volume do «Portugal Sacro-Profano», publicado em 1767, fazendo-se eco dos elementos colhidos na "Mem. Paroq.?, repete a informação do Abade Agostinho de Vasconcelos, (...); no manuscrito de José Oliveira Bernardo existente na Biblioteca Municipal de Viseu - «Notícias de Viseu»..., etc. - datado de 1838, no capítulo da «Taboa das Parochias do Bispado de Vizeu e seus Fogos», já Cassurrães figura com 340 fogos, verificando-se pelo «Dicionário» de Pinho Leal que, nos finais do séc. XIX esse número atingia já a casa dos 430; finalmente, pelos elementos do censo populacional de 1940 vê-se que a freguesia de Santiag acusava a existência de 2.310 habitantes, precisamente menos 111 que a população da vila de Mangualde.

NOTAS
(1) As restantes paróquias eram S. Julião de Azurara, Alcafache, Espinho, Fornos e Quintela.
(2) O Dr. J. Pinto Loureiro, na sua preciosa monografia - «Concelho de Nelas» - toma o vocábulo MORADORES como sinónimo de FOGOS, atribuindo a cada fogo um mínimo de 3 habitantes. Nesta conformidade, caberiam a Cassurrães 93 moradores entre os 345 do total da freguesia."


Como alguém me dizia há uns tempos, pena é que a Freguesia de Santiago pareça estar a perder o fulgor de outros tempos, vendo partir os seus jovens que deixam para trás os muros velhos que os viram crescer, e aos poucos, as casas, as ruas, as aldeias vão parando no tempo... um tempo que só é remexido de quando em quando, por altura do Verão, das férias, com a visita dos emigrantes que com saudade retornam às suas raízes.

O texto entre aspas e em itálico for tanscrito na íntegra conservando alguns vocábulos tal e qual eram escritos à época.

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