O meu cantinho!...

Não sou Poeta, não sou Professor, não sou Engenheiro e muito menos Doutor. Sou alguém que aprendeu a ser o que é, porque um dia me disseram que na vida o que realmente importa é ser eu próprio, confiar nos sentimentos e respeitar o que nos rodeia, ...as pessoas e ...o Mundo!

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quarta-feira, janeiro 02, 2008

O que é um madraçal?

«… visto de fora, tinha tudo menos um ar convidativo: só se via um muro estreito e claro, cujo reboco estava quase todo estalado. Havia um pesado portão de ferro a meio, cujas meias-portas emitiam um guincho penetrante quando se abriam. Por detrás do muro, existiam três edifícios baixos, de um andar, construídos à volta de um pátio, que se percebia já não serem restaurados há muitos anos.»

«O pátio interior era imundo; o chão estava cheio de pedras, telhas e restos de comida meio apodrecida, um autêntico paraíso para a bicharia. Cheirava intensamente a comida estragada, excrementos e urina…»

«A sala para onde a directora me levou era rectangular, tinha no máximo cinquenta metros quadrados e estava coberta de tapetes. (…) perguntei às outras raparigas onde ficava o quarto de dormir e a sala de jantar (…) não havia nem uma coisa nem outra.»

«Éramos cerca de trinta raparigas, e passávamos, na prática, o dia todo encurraladas naquela sala. Era ali que aprendíamos, era ali que comíamos e era ali que dormíamos. Não havia cadeiras nem sofás, de modo que, para comer e aprender, tínhamos de nos ajoelhar sobre os tapetes. À noite, deitávamo-nos simplesmente no chão: também não havia camas nem tão-pouco colchões.»

«E como é óbvio, muito menos aparelho de ar condicionado. Trinta raparigas fechadas o dia inteiro numa divisão tão pequena (…) durante o Verão a temperatura ultrapassa os quarenta graus, a certa altura parecia que estávamos num verdadeiro inferno,»

«Havia apenas três casas de banho com duche para dezenas de raparigas, dos quais geralmente só um funcionava (…) ou estavam sempre entupidos, ou a lâmpada estava fundida.»

«O chão da casa de banho era ladrilhado; no entanto, os ladrilhos estavam tão sujos que perguntava a mim própria se alguma vez teriam sido limpos.»

«Havia toalhetes cheios de sangue espalhados por todo o lado, que deviam ter sido brancos em tempos: nenhuma das minhas colegas ouvira falar de uma coisa chamada tampão, por isso usavam os toalhetes, deixando-os pelo chão das casas de banho. Era simplesmente nojento.»

«Os duches (…) não tinham chuveiro (…) tinham-no substituído por uma pequena e miserável torneira. Portanto (…) ajoelhávamos para nos lavarmos, ou usávamos o alguidar de plástico e atirávamos água sobre a cabeça…»

«Os sanitários eram (…) compostos apenas por um buraco no chão. E acontecia muita vez o buraco estar a transbordar, e termos de pisar excrementos. (…) em vez de papel higiénico, havia uma tina com água suja e salobra. (…) levou algum tempo até me sujeitar a lavar-me naquela porcaria.»


Imagem retirada da NetEstas são algumas passagens que descrevem um madraçal sunita (no Paquistão), que afinal não é mais que uma “escola” em regime de internato para raparigas. Ali se estuda e se impõe intensivamente a religião muçulmana através da leitura do Alcorão. Na sala apenas existe uma espécie de móvel para colocar o Alcorão, que nunca pode estar no chão.
Esta imagem que encontrei na net, espelha gráficamente, um pouco do que será a realidade de um madraçal.

Isto é apenas um bocadinho do que se pode ler no livro “Morrer por querer ser feliz” que relata a vida de uma rapariga Paquistanesa de nome (falso) Sabatina.
Foi o último livro que li em 2007 e sobre ele falarei mais um pouco num outro Post.

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